Friday, February 09, 2007

Dragged to death

I can't find words. I can't let go either. What happened so deeply attacks my humanity that I just can't help feeling robbed of something very precious. Maybe dignity. I lay my head on the pillow and I can't fall asleep. I wish I could never smile again. How can we have gone so low?

All I can say is that I do not have the words to describe such monstrosity. Or how I am feeling now. A couple of teenagers carjacked a family in Rio, but only the mother and her 12 year-old girl were able to leave the car. The little 6 year old boy got stuck to the seat belt, on the outside of the car. The monsters zigzagged the car for about 4 miles, dragging the little kid along, in an attempt to get rid of him, only to abandon the car and the boy's lifeless body in some deserted road and run away.

It has been reported that passers-by and drivers yelled and honked at them begging them to stop the car, but, of course, in vain.

"Lord God of the disfavored, " making mine poet Castro Alves' words, "tell me, Lord God, if is madness... or is it true so much horror under the heavens."

It's 3 am. I can't sleep tonight. I can't get my mind off of the terrible moments that mother and sister went through, feeling so completely powerless and torn. Or off of the horror that little boy went through on the seconds before his death. And off of those monsters! I hope they die a very cruel death in jail. Because even criminals have moral standards that are attacked by such atrocity.

How can anyone kill a defenseless child is already hard to understand. How can anyone drag a little boy to death, not for revenge or any thing that would make it explainable. Bad enough but explainable. But to rob a car. How can respect for human life have fallen so far down the pit!

The freaks, the monsters, they been caught. They will go to jail. And thanks to the 1001 flaws in our judicial system, they will be out in no longer than 6 years, maybe as little as 3. One of them, under-aged, is protected by so many laws and will be out in the streets again by the time he is 20, his whole life ahead of him, a mind filled with hatred and all the tricks learned at the juvenile hall.

Little 6 y.o. Joao Fernandes will never see the sunrise again. His mom will never hear his voice again, never able to hug him or feel his little hand in hers. Never even able to be angry at him for some foolish boyish misbehavior. She will never see her son grown up, because he no longer exists. And those awful moments will forever be in her mind. The bitter feeling of not being able to do anything as you watch your child die.

My mom and I have been mugged once and dragged down the hill that lead to our condo. I still remember the feeling of panic. It's dark, you heart pumping super fast, not knowing what will happen next, your worst fears can't find a way to express themselves, you try to scream but nothing comes out of your mouth! A second ago everything was fine. And then you watch them run away with your pocket book. Thank God, we're alive.

Last Wednesday night, I can only imagine, those familiar feelings of mine were the same shared by the Fernandes family. But their worst fears did come true.

As his coffin went down, yesterday afternoon, at Jardim da Saudade graveyard, his sister could not help the words, "I am sorry I could not save you, brother."

When we talk about total depravity at church, i always think of lies, sexual impurity, drugs and robbery. you would wish even the worst human being would still be careful towards a little child, or a defenseless family. It feels like there should be a limit, and yet, you come across things like that.

.... And yet, God loved us.

------ In Portuguese:

Não consigo achar as palavras. Nem tampouco consigo esquecer. O ocorrido tão profundamente ataca minha humanidade que não posso evitar sentir-me roubada de algo muito precioso. Dignidade talvez. Deito minha cabeça no travesseiro e não consigo adormecer. Queria jamais poder sorri novamente. Como podemos ter chegado tão baixo?

Tudo que posso dizer é que não tenho palavras para descrever tamanha monstruosidade. Ou como estou me sentindo agora. Dois adolescentes roubaram o carro de uma família no Rio, mas apenas a mãe e sua filha de 13 anos conseguiram sair do carro. O garotinho de 6 anos ficou preso ao sinto de segurança pelo lado de fora do carro. Os monstros ziguezaguearam com o carro por cerca de 7 QUILÔMETROS, arrastando a criança com eles, na tentativa de livraram-se dela, para simplesmente abandonar o carro e o corpo sem vida da criança, logo depois numa rua deserta e fugirem.

Foi reportado que transeuntes e motoristas gritavam e buzinavam implorando para que eles parassem, mas, obviamente, em vão.

"Senhor Deus dos Desgraçados, " faço minhas as palavras do poeta, "dizei-me vós, Senhor Deus, se é loucura... ou se é verdade tanto horror perante os céus."

São 3 da manhã. Não consigo dormir. Não consigo tirar a cabeça dos terríveis momentos que aquela mãe e irmã viveram, sentido-se tão impotentes de roubadas. Ou do horror pelo qual passou aquele menininho nos segundos que antecederam sua morte. Nem daqueles monstros! Espero que eles morram uma morte bem cruel na cadeia. POrque mesmo criminosos tem padrões morais que foram atacados por tal atrocidade.

Já é difícil de entender como alguém pode matar uma criança indefesa. Como alguém pode arrastar um garotinho até a morte, não por vingança ou algo assim, que fizesse a coisa ao menos explicável. Muito ruim, mas explicável. Mas para roubar um carro! Como pode o respeito pela vida humana ter caído tão fundo nesse poço?

As aberrações, os monstros, foram presos. Irão para a prisão. Mas graças às 1001 falhas do nosso sistema judicial, estarão nas ruas em não mais de 6 anos, talvez até mesmo em 3. Um deles, menor, é protegido por um sem-número de leis e estará de volta às ruas antes dos 20, com tuoda sua vida pela frente, uma mente cheia de ódio e todas as artimanhas aprendidas no reformatório.

O pequeno João Fernandes nunca mais verá o sol nascer. Sua mãe jamais ouvirá sua voz outra vez, jamais poderá abraça-lo ou sentir sua mãozinha na dela. Jamais poderá sequer ficar aborrecida com ele por alguma desobediência boba de menino. Ela nunca verá seu filho crescer, pois ele não mais existe. E aqueles momentos horríveis estarão para sempre em sua mente. O amargo sentimento de não poder fazer nada ao assistir seu filho morrer.

Minha mãe e eu fomos assaltadas certa vez, e arrastadas na ladeira que levava a nosso apartamento. Ainda lembro o sentimento de pânico. Está escuro, seu coração a mil por hora, sem saber o que vai acontecer em seguida, seus medos mais terríveis não conseguem se expressar, você tenta gritar mas nada sai de sua boca! A um segundo atrás estava tudo bem. E então você os vê correndo com sua bolsa. Graças a Deus, estamos vivas.

Quarta passada, posso apenas imaginar, aqueles sentimentos conhecidos foram compartilhados pela família Fernandes. Mas seus piores medos tornaram-se reais.

Ao ver seu caixão descer, ontem a tarde no Jardim da Saudade no Rio, sua irmão não pode evitar as palavras, "Desculpa não ter podido te salvar, irmão."

1 comment:

ivor1982 said...
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